quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Branca imagem


Hoje me sinto meio Branca de Neve, a procura de algo diferente. Percorrendo caminhos desconhecidos. Encontrando com bruxas que confundem as ideias e os pensamentos. Mas me sinto também como a Chapeuzinho Vermelho que confunde-se com o lobo muitas vezes. Aliás, às vezes, é preciso ser Branca na pureza e ingenuidade e ser Chapeuzinho nos momentos de lucidez.
Muitas vezes precisamos fazer acordos com Rupelstilskin, mesmo sabendo do risco que corremos.
E também nos encontramos perdidos e abandonados como João e Maria.
Os contos de fadas conseguem fazer isso com a gente. Conseguimos transpor mundos e vivenciar personagens. Ser bruxa e princesa, num passe de mágica!

Corro pela floresta.
O sol está a nascer.
Minha pele alva reluz.
Na beira do rio,
Minha imagem se apresenta.
Seria eu, seria o lobo?
Crianças fogem de uma casa de doces.
Migalhas pelo chão.
Perco a capa vermelha
Meu amuleto.
O sol já está alto.
Avisto o mundo lá longe.
Pacto selado.
Dúvida.
Mundos para alcançar.
Talvez um feitiço venha a me ajudar.
Espera.
Meus cabelos negros se fundem com a escuridão da passagem.
Vejo a luz,
Vejo o príncipe,
Vejo o Lobo!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Conto felino de Natal



- Tive uma ideia Lilith! Vamos  montar uma árvore de Natal!
- Árvore de Natal? O que é isso Princesa?
- Nossa, como você é desligada. O pinheirinho cheio de bolas e brilho que todo mundo monta no Natal.
- Uhh, mas poderíamos fazer algo diferente você não acha?
Lilith era sempre mais arteira e com ideias mais criativas. Princesa gostava mesmo é de fazer pose. Duas gatas irmãs que viviam em um apartamento. Tinham vários amigos nas redondezas e gostavam de planejar festas noturnas.
Para montar a árvore diferente, a gata convidou alguns amigos especiais. Com todos reunidos determinou:
- Vamos fazer uma instalação! Montaremos a árvore com nossos próprios corpinhos!
- Eu vou ficar embaixo, tenho que aparecer totalmente, ficar bem em evidência. –  falou Princesa.
- Eu seguro a bolinha vermelha! – disse Flock, do apartamento vizinho.
- Não, eu seguro a bolinha vermelha! – disse Lisbeth,  visitante inesperada.
A discussão estava armada. Cada uma dando a sua opinião. Até que...
- MIAUUUU!!!!  Chega! Todas as bolinhas serão vermelhas ok? Vamos fazer a pirâmide e montar a árvore. –  Lilith estava já ansiosa.
Correria geral. Só a Princesa ficou paradinha onde estava, com pinta de madame, com o nariz bem empinado.  Os outros foram se ajeitando, cada um com sua bolinha vermelha na mão.
- Falta a estrela! – gritou um pequeninho.
- Eu pego, eu pego! – correu o gato Fred, todo feliz.
- Preparados para a foto pessoal? – grita Lilith.
- Fish!!!!!
FELIZ NATAL !!!!


domingo, 9 de dezembro de 2012

A árvore de cada um

A árvore de cada um é aquilo que lhe convém. Pode ser com um tronco enorme, ou cheia de flores. Pode ter mangas suculentas.  Pode até falar, se mover como se as raízes fossem suas pernas. A árvore de cada um pode ser o próprio corpo, o próprio pensamento, o próprio espírito. Penso como seria a minha árvore quando era criança. Acho que deve ter sido de algodão-doce. Mas também pode ter sido uma árvore dançarina, ou quem sabe, uma árvore de brinquedo. Penso como é minha árvore agora. Minha árvore deve ser enorme, pela quantidade de sonhos que há dentro dela. Deve ter livros, com certeza, pendurados em seus galhos. Não é uma árvore parada não. Suas raízes andam conforme o vento, às vezes para um lado, às vezes para outro. Minha árvore tem todas as minhas alegrias e minhas tristezas. As alegrias são como flores que embelezam a todo instante. As tristezas se perdem como folhas secas a voar. Não sabem onde pousar. Minha árvore deve ser tudo que sou, e também tudo o que serei.

(Palavras inspiradas no livro "A árvore", de Bartolomeu Campos de Queirós)