quinta-feira, 11 de abril de 2013

Aconchego



Nada como um bom sofá para partilhar uma leitura.
Vai-se o tempo.
Mudam-se as estampas,
Mesmo aconchego.
Cada um tem o seu.
Próprio e eficiente.
Inteiramente a seu dispor.
Há aqueles que terão que dividi-lo.
Talvez com um amor, com um filho.
Talvez com um cão, com um gato.
Talvez com tudo isso junto.
Nada como um bom sofá para aconchegar-se em uma leitura!
Mágico e intenso.
Meio de transporte para as aventuras do ler.
                                            ( Imagem de Pierre Jeanniot)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Desapego



Desapego

Sofro com o desapego de meus pensamentos.
Lentos e  enraizados no meu eu.
É um desassossego insistente.
Livre e incansável.
Vive na escuridão da alma.
Clara, limpa e relutante em desapegar-se.

domingo, 7 de abril de 2013

Lembranças



As melhores lembranças da minha infância estão na casa da minha avó Claudina.
Quando era pequena, tirando as visitas à praia, meu lugar predileto sempre foi a casa da vó. Uma casa de dois pisos, que tem vários sons. Gosto de pensar no som dos passos da vovó estalando na madeira e nos murmúrios do meu vovô Anselmo sempre reclamando de alguma coisa. Aquela cara brava que escondia um coração enorme.
Lembro-me de todos os mimos e paparicos que recebi. Afinal, eu era a primeira neta.Os tios e tias me enchiam de afagos.
Vovó sempre nos esperava com o pão de ló e cuca fresquinhos. Eu chegava a sentir o cheiro doce antes mesmo de entrar porta adentro.
E como doce é uma amostra de carinho, lembro de algo especial que só o vô Anselmo sabia fazer: um chocolate escondido no bolso da calça para dar a seus netos. Um gesto que parecia simples, mas que para nós valia ouro.
 Mas casa de vó precisava também ter mistérios... As brincadeiras no sótão se encarregavam disso. Aquela escadinha estreita cheia de barulhos. Aquela janelinha pequena que abre para o telhado. Era o lugar perfeito para uma grande aventura.
 E comer bergamota embaixo do “pé”, então? Daquelas bem azedas, que faziam escorrer lágrimas dos olhos. Uma delícia, que só não era mais gostosa que as uvas pretas da parreira.
Ah, mas ser ajudante da vovó enrolando agnolini no porão é o que fazia a gente se sentir importante. Lembro-me de tudo, do corte da massa, de colocar aquelas carninhas dentro e principalmente de formar o chapéu no final. E depois, ver aquela sopa sendo servida com aquele sabor inigualável.
Só tem duas coisas que eu não gostava na casa da minha avó: do galinheiro e das ratoeiras. Tinha pavor daquele galinheiro e de pensar naquelas galinhas que logo iriam virar um bom caldo.  Olhando na janela do sótão ficava imaginando como ajuda-las a fugir daquele triste destino.  E quanto às ratoeiras, não pensem que eu tinha pena dos ratinhos não. Na verdade tinha e ainda tenho horror a ratos. E ver o rato capturado não é uma imagem muito agradável não.
Voltando as coisas boas, não tem sensação melhor do que estar na casa da avó, como aquela de família reunida.
Família de origem italiana, onde todos falam muito alto, choram e riem ao mesmo tempo.  É tanto amor e carinho explodindo no coração de todos!
Afinal, uma alegria sem fim!
Por Milene Barazzetti

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Fábrica do Saber

A partir deste ano estarei atuando na Fábrica do Saber, uma biblioteca muito especial que fica ao lado da EMEF Nilo Peçanha, em Novo Hamburgo. Tenho certeza que será um trabalho maravilhoso, ainda mais com a parceria que vou ter da maravilhosa contadora de histórias e professora Nícias.
Agradeço todos os 15 anos que passei na EMEF João Baptista Jaeger, em especial os últimos quatro anos em que me descobri como contadora de histórias na Biblioteca. Adorei a homenagem no blog: http://escolajbj.blogspot.com.br/2013/04/toda-escola-jbj-quer-agradecer-prof.html.
Vida longa à contação de histórias!


Antologia "Rio dos Bons Sinais"

Mais uma notícia boa! Um dos meus contos intitulado "As palavras de Melina", foi selecionado para fazer parte da Antologia Lusófona "Rio dos Bons Sinais". Uma publicação da CEMD Edições, de Portugal.
O livro estará disponível para venda nas versões impressa e e-book,  nos seguintes sites: http://www.cemd.tk/ e http://www.cemd-edicoes.tk/.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

O consertador de coisas está chegando...

Meu primeiro livro publicado está quase pronto... Enquanto aguardo ansiosa para vê-lo impresso deixo aqui a capa que ficou linda. A ilustradora Mirella Spinelli fez um trabalho deslumbrante com as ilustrações em aquarela.
Agradeço muito ao Fabiano Tadeu Grazioli, coordenador editorial da área Infanto-Juvenil da Editora Habilis e aos editores Everson Fogolari e Cleonice Fogolari que apostaram neste texto. Agradeço principalmente ao escritor Celso Sisto por todas as dicas, às minhas amigas do Laboratório de Autoria (curso coordenado por Celso Sisto)  que acompanharam todo esse processo e a minha família que foram meus primeiros leitores. 
Transcrevo aqui o comentário da amiga Vanessa Wigger, que muito me emocionou,  na minha página no Facebook:
"Milene Barazzetti Machado  tem o dom de contar histórias e emocionar o público. Dona de uma expressão maravilhosa e voz doce vem emocionando todas as idades com contos infantis onde quase sempre a vida real se mistura com o lúdico. Desta forma, Milene relaciona a arte de contar histórias com a inteligência, prazer, entretenimento, fantasia, imaginação e, finalmente, educação. Sim, a educação das idéias, a educação das palavras, a educação das emoções. Tive o prazer de ver, ouvir e me emocionar em uma apresentação sua. E agora estou aguardando seu primeiro livro!"


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Lua de gato

Todos a apreciar a lua.
Parece nua, mas não é não.
Lá se esconde o seu amigo.
Todo prosa com ar de glutão.
Quem será o próximo a lá estar?
Todos enfileirados a esperar.
Na próxima noite, lá estarão.
Aguardando a escolha da Lua.
Que não quer ficar nua.
Lua de gato, miando na escuridão.