sábado, 13 de julho de 2013

Conversa de Condomínio



Conversa de Condomínio
Por Milene Barazzetti
- Psiu, vem logo Princesa. Vem de uma vez. – chamava Lilith, já sem paciência.
- Mas e se a mamãe chegar? E se tiver algum carro passando? E se...
- Chega de se isso, se aquilo. Vem de uma vez! – dessa vez Lilith se irritou e empurrou a pobre irmã.
Princesa era sempre tão medrosa. Lilith era sempre a destemida.
Lilith subiu no telhado do estacionamento e começou a miar sem parar.
- O que você está fazendo? – perguntou Princesa.
- Tô chamando o pessoal!
- Que pessoal?
- Ora, nossos amigos do condomínio.
- Nossos uma ova, teus amigos.
Naquele momento começou a aparecer todos os gatos da redondeza. Foi uma cantoria só.
Princesa correu para debaixo de um carro. Estava morrendo de medo. Levou um susto quando avistou Téo lá embaixo também.
- Olá minha bela gatinha! – falou todo galante o gato preto.
- Nem pense em chegar mais perto. Fique aí onde está.
- Ora, ora, ora. Onde você pensa que está Princesa? Aqui é minha área! – rápido e certeiro Téo pulou sobre a gata.
Princesa miou o mais alto que conseguiu. Por trás daqueles miados seus amigos ouviram seu vários gritos:
- Socorro! Socorro!
Tarde demais. Quando Lilith conseguiu chegar perto da irmã já havia acontecido o pior.
Princesa, branca como a neve, estava toda pintada de bolinhas vermelhas. Tudo armado pelo danado do Téo. Ele já havia planejado tudo. Estava só esperando a oportunidade.
Lilith, em desespero correu para cima do gato preto, que em instantes sumiu do mapa. Foi um corre, corre.  Quem estava vindo acabou voltando pelo mesmo caminho. Uma confusão armada por uma simples situação
Flock, o gato do apartamento da frente perguntou para a Princesa:
- E agora, o que podemos fazer para tirar essas pintas?
Princesa só chorava.
Lisbela, a caturrita passou voando e foi logo dizendo:
- Tenho uma ideia. Estão pintando o apartamento da Lola! Podemos entrar lá e colocar a Princesa no balde de tinta branca. Ela vai sair branquinha, branquinha.
- Não – gritou um cachorro branco na janela – Lava ela na máquina de lavar!
- Vocês estão doidos! Que ideias mais estapafúrdias! Ninguém vai me jogar em balde de tinta, nem colocar na máquina!
Princesa correu de volta para a janela do seu apartamento. Tinha que voltar e ainda arrumar a rede de proteção. Lilith viu que a irmã estava voltando e a seguiu. Precisavam achar uma solução antes de Letícia chegar em casa.
Infelizmente, a dona da casa já estava chegando e tudo teria que ficar resolvido rapidinho.
Sem pensar muito Lilith pegou todo o pacote de farinha do armário e jogou na irmã.
No mesmo instante, Letícia abriu a porta. Na primeira passada, o escorregão!
- Tibum!
Era Letícia estatelada no chão. Tanta farinha só podia dar nisso.
O tombo foi tão forte que voou farinha para todo lado. Até Lilith, que era preta, ficou meio cinzenta.
E a Princesa? Bom, a mocinha, que estava tomando seu banho lambe-lambe, foi até Letícia e miou com jeito doce.
Como sempre, mesmo com uma tremenda dor nas costas, Letícia pega a gatinha no colo e a afaga.
Lilith chega também para ganhar um carinho. Começa a passar a língua nos pés de sua dona, que estão totalmente enfarinhados.
Letícia começa a rir sem parar, sente muitas cócegas. Ri até chorar. Enquanto isso, Princesa e Lilith ficam ali aproveitando a brincadeira. Afinal, não tem coisa melhor do que família reunida!

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