sábado, 13 de julho de 2013

A princesa e o boticário



A Princesa e o Boticário
                                                                                                       Por Milene Barazzetti
Existiu um Reino há muito tempo atrás, entre montanhas e vales, onde Reis e Magos estavam em permanente conflito.
Neste reino vivia uma princesa presa em uma torre, enclausurada, desde os seus seis anos de vida.
A princesa se chamava Kantakai. Dizia-se que a menina era vítima da maldição dos Magos que viviam na Floresta de Aksum, insatisfeitos com o reinado de seu pai. Ficaria presa na torre, protegida pela magia perversa dos magos, até o seu pai; rei Negus, conseguir a cura de uma doença desconhecida de todos, que acometia o mago Hailé, líder dos seres da floresta.
O mundo da princesa era a torre, fechada entre quatro paredes, com uma minúscula janelinha no alto, impossível de se chegar perto. Neste lugar havia uma cama, uma escrivaninha, livros, linhas de costura, tecidos, um espelho, papéis para escrever e muitas plantas.
Todos os dias, os servos do rei Negus, através de uma pequena portinhola lhe forneciam tudo que necessitava para viver. Também lhe passavam, através de cartas de sua mãe, notícias sobre o reino, e principalmente, sobre a possível descoberta da cura do mago. Kantakai sabia que seu pai tinha prometido a sua mão em casamento para aquele que cumprisse tal missão.
A princesa cresceu e aprendeu tudo que sabia nos livros, nas cartas e cuidando de suas plantas. Misteriosamente, essas plantas, apesar do lugar escuro, ficavam cada dia mais belas. Às vezes ela se perdia a suspirar e chorar pelos cantos do quarto, devido à tamanha solidão e espera.
Vivia com ela também, uma gata chamada Kira, que ganhou de presente do Boticário do reino quando completou quinze anos, um rapaz estimado por todos, como escrevia sua mãe nas cartas.
Um dia, como que por encanto, apareceu uma Fênix que espiava pela janela. O intrigante pássaro mágico deixou cair um bilhete e uma muda de Hibisco pela pequena abertura.
A princesa logo abriu o pequeno papel e começou a ler a mensagem:
Kantakai,
Logo estará livre. Sou o Boticário. Cuide deste Hibisco com todo seu amor, ele é presente da fada  Kali, que vive além da Floresta de Aksum. Você deve cuidar da planta e irrigá-la com suas lágrimas. Logo precisaremos de uma flor que irá brotar.
Z.
Kantakai, neste instante ficou muito curiosa. Quem estaria mandando aqueles recados?
Passaram-se dias, semanas, meses.
Até que um dia, a Fênix retornou e deixou mais um bilhete na pequena abertura.
Kantakai,
 Sou Zula,  filho de Assam, criada do Reino. Agora sou boticário. Curo os doentes. Estou fazendo a essência que irá curar o Hailé e te livrar da maldição. Só está me faltando um ingrediente. Preciso de uma flor da planta levada pela Fênix, presente de Kali.  A planta é única,  e a fada foi bem clara quando disse que ela só floresceria se fosse irrigada com as suas lágrimas. Você deverá colocá-la na coleira de Kira, que como os demais animais, consegue atravessar a nuvem mágica que encobre o castelo.
Z.
- Zula – murmurou a princesa. – Meu amigo Zula! Que saudades de nossas brincadeiras!
A princesa então foi até sua planta que ficava logo abaixo da janela e cortou uma flor. Amarrou na coleira de sua gata Kira e esperou que ela escalasse até a abertura, como fazia algumas vezes. Ficou com receio de que a gata atacasse o pássaro, mas resolveu arriscar. Rapidamente, Kira subiu as paredes, onde a Fênix, o pássaro mágico, estava esperando. Uma explosão de luz se deu.
Neste momento Kantakai ficou sozinha. Kira sumiu junto com o pássaro. Sempre desconfiou de que a gata tinha alguma função especial, além de lhe fazer companhia e acaricia-la quando chorava. Ficou então a esperar e acabou adormecendo.
- Princesa! Princesa Kantakai! Acorde. – disse uma voz desconhecida, que chegou de repente e a despertou.
Kantakai demorou a abrir os olhos. Na sua frente um moço alto, de pele morena com vestes simples e olhos negros brilhantes.
- Zula, é você? – falou suspirando a princesa.
- Sim, Kantakai, vamos sair dessa torre. Venha comigo. Estão todos a lhe esperar. – respondeu Zula.
A princesa desceu até o salão do castelo onde todos a aguardavam. Seus pais choravam tamanha era a emoção. O lugar estava todo enfeitado para ocasião com peças douradas reluzentes.
 Ela olhou para todos. Sorriu de alegria ao ver Kira ao lado da rainha, junto com a fada Kali, sua madrinha. Do outro lado do salão estavam os dois Magos da Floresta de Aksum. E bem ao alto, Fênix observava tudo.
- Kantakai, minha filha. Prometi a quem curasse a enfermidade de Hailé, sua mão em casamento, como você já sabe. E também cabe a você decidir o que faremos com os Magos. – disse o rei Negus, soberano.
- Querida princesa, só me casarei com você, se for do seu agrado. Desde que foi para a torre espero sua liberdade. Você foi minha melhor amiga na infância e sinto sua falta. – disse Zula humildemente a reverenciando.
A princesa olhou para todos e disse:
- Sim, me casarei com Zula, o único amigo que tive antes de entrar na torre. Aos Magos desejo que voltem a Floresta de Aksum. Lá ficarão aprisionados até que a Fênix morra com o fogo e ressurja um novo pássaro, das cinzas.
Assim, naquele reino não se escutou mais os suspiros da princesa, que viveu com Zula e reinou com benevolência durante muito tempo até o surgimento de uma nova era. Mas isto, já é uma outra história.

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